Friday, July 20, 2007

Esquecendo Tello

Encontramo-nos a 3 semanas do primeiro jogo oficial da época – e do primeiro troféu a sério (mais que o troféu Cidade de Albufeira, rapazes!) – e ainda não temos alternativas para os lugares de lateral no nosso plantel. Se no caso do Abel ainda podemos meter umas almofadinhas nos joelhos, acender uma velinha e orar para que o Cerebrum que ele anda a tomar poupe aquela cabecinha de umas paragens, no caso do lado esquerdo aprendemos que não é por vestir a stromp que um aborígene papa-formigas aprende a jogar á bola. Aquela camisola faz milagres, mas só funciona em humanos.

Por isso, para além da quimera Caneira, o aloé vera que trataria qualquer problema da defesa de Alvalade, parece que aquela rapaziada de fato e gravata anda com problemas para encontrar um defesa esquerdo no mercado. A custo zero ou emprestado, que 30 Milhões de euros nos dias de hoje não dão para pagar uma bica… (uma pequena pausa para recordar que o FCP tem laterais esquerdos para a troca, tal como nós temos Farnerudes).

Se não arranjarmos outro lateral esquerdo e tivermos que ficar com o Ronny a criar-nos úlceras no duodeno, a culpa é do Tello. E se não ganharmos a Supertaça, a culpa é do Tello. E SE NÃO BATERMOS O RECORDE DE VENDA DE GAMEBOXES, A CULPA É DO TELLO. Pfff… pfff… Aguinha com açúcar... pfff… pfff… Aguinha com açúcar…

Não há dúvida: Precisamos de um lateral esquerdo. Quanto mais não seja para esquecermos o Tello. Ou melhor, para EU esquecer o Tello.

Reconheço que o meu problema com o Tello é pessoal: Sempre acreditei nele. Quando toda a gente o questionava, eu pensava que não era mau jogador. Estava mal orientado, não jogava na sua posição, precisava crescer. Afinal, um milhão e meio de contos é argumento suficiente para ter um pouco de paciência. E para mostrar ao mundo a minha fé, dou uma marretada no meu porquinho de loiça e lá vou eu comprar uma camisola com o nome do Tello nas costas. Mais: Vesti-a! Aguentei o bichanar dos descrentes que me apodavam de insano, o escárnio dos trocistas que zombavam com a minha convicção e estoicamente percorri os campos deste país com o peso da incerteza às costas.

E depois, faz-me isto! Claro que um gajo fica ofendido. Então acredito no homem e depois faz-me isto? Ah é uma questão pessoal, ah pois é! E o troco tem que ser dado, que isto com o anão não fica assim. E á falta de mangas para arregaçar e dentes á mão para partir á biqueirada, arranja-se um portátil, conexão Internet e manda-se um mail ao sacana para ajustar contas. Pode não ser muito macho, mas é moderno.

Estimado Rodrigo*

Soy de los que siempre creyó en tu potencial a pesar del tiempo que has tardado en demostrarlo. Esperaba que explotaras en el momento que alguien fuera lo suficiente listo para descubrir dónde coño deberías jugar tu en la cancha. Has sido afortunado, como, reconozco, ha sido afortunado el equipo. Puedes decir que han tardado en entenderte, que no eras un punta natural, que sólo te gustaba jugar allí, en tu metro cuadrado cerca de la quina del área dónde podías servir con maestría a algún delantero que entendiera tus pases. Pero, en verdad, eras también un crío. Y el mejor elogio que uno puede recibir es el reconocimiento de que ha evolucionado al punto de recibir los cumplimientos que pocas veces habías escuchado en tu trayecto. Ya conoces los hinchas de Sporting: La exigencia que hacen, la presión que imponen, las expectativas que crían y la impaciencia que demuestran.

Yo, personalmente, siempre confié. Al punto de un día decidir comprarme mi segunda camiseta de Sporting. La primera tenía el nombre de unos de los más grandes jugadores de fútbol que he visto jugar y uno de los más simbólicos jugadores que conocí en Sporting: El jefe. La segunda tenía tu nombre. La señora de la tienda me miró, sorpresa, e incluso me preguntó si yo estaba seguro si era ese el nombre que me gustaría poner en la espalda. Imagínate! En realidad había tantos otros por dónde escoger, ídolos de la afición que salían todos los días en los periódicos y, algo importante, hacían algo que se suele pedir a un jugador de fútbol: jugaban. Y la señora tenía su razón: Porque iba yo vincularme personalmente a un chico bajito, medio gordito, de perfil bajo y que pasa su tiempo mirando a los demás jugando al fútbol? Peor: Porque quería yo despertar las vergüenzas más profundas y recalcadas de los aficionados, acordando uno de los más grandes fallos de la política de fichajes del club, la más cara contratación de la larga y rica historia de Sporting, que pasaba su tiempo sólo entrenando? Te contesto, Rodrigo: Porque yo creía. Creía en tu potencial como jugador y creía que reconocías la confianza que Sporting tenía en tu valor. La confianza que hiciera que Sporting esperara tanto tiempo por ti. Mucho más tiempo de lo que has sido tu capaz de esperar por Sporting.

Me dirás que eres profesional, que tienes tus razones para salir, y tal y tal. Estoy seguro que tendrás tus argumentos. Pero con dolor, sólo una cosa te pido: Que me devuelvas los 60 euros que pagué por tu camiseta, pues la quemaré, pesetero hijo de puta! Lo demás, te deseo, que en tu nuevo club, hagas lo mejor sabes hacer en cuanto jugador de fútbol: Calentar el banquillo. Vete a la mierda. Mamón!


O pilantra ainda não me pagou a camisola, mas a verdade é que me senti bastante melhor. E desde que o animal foi castigado com 20 jogos pela selecção até já consigo falar nele sem pensar nos 60 €. Mas agora a crescente perspectiva de ver o Ronny a titular o resto da época fez-me ter uma recaída.


Por isso, aproveito este espaço para fazer um apelo aos senhores directores do Sporting: Arranjem-me lá um lateral esquerdo. Por miseridórdia, libertem-me do Tello!!

* Traduzido por Marco Caneira

8 Comments:

At 2:56 PM, Blogger Diego Armés said...

O último parágrafo do mail tocou-me profundamente.

PS - Depois admiram-se que o Saramongo diga aqueles disparates. Um blogue português com literatura castelhana, onde é que isto já se viu...

 
At 3:31 PM, Blogger B said...

GENIAL.

Arranja-me o mail do gajo.

Não comprei camisola mas não me importo nada de o insultar também.

 
At 4:48 PM, Blogger Helena Henriques said...

Humm, com a telha em busca do Tello...

 
At 9:03 AM, Blogger jose said...

Tello?! Quem é esse gajo?

 
At 10:36 AM, Blogger Helena Henriques said...

É o gajo que vos deixou com a telha. :P

 
At 10:54 AM, Blogger jose said...

Completamente desconhecido...

Mas deixem-me que vos apresente o Adrien Silva, já agora...

 
At 12:46 PM, Blogger Férenc Meszaros said...

Em www.rodrigotello.com, podes escrever-lhe à vontade.

É esse exercício de esquecimento, José, que infelizmente não consigo fazer. Bem tento mas nada. Até já exprimentei um martelo de orelhas contra o meu lóbulo parietal e o unico resultado foi começar a babar-me pelo canto esquerdo da boca.

 
At 12:49 PM, Blogger Helena Henriques said...

Ena, que cabeça resistente ou... "somos cegos que vendo, não vêem"

 

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